4 motivos de porque as Startups são as novas bandas de Rock


Meu background é em Música/Produção musical. Foi nesse meio que fiz minha primeira aventura acadêmica e também profissional: fazendo a produção executiva de algumas bandas de rock independentes da cena de Porto Alegre. O tempo se passou, acabei me aventurando em Administração e voltei minhas atenções para o mercado de inovação e tecnologia e vi surgir no Brasil o movimento das Startups. Trabalhei alguns anos em uma das principais aceleradoras do país.

É impressionante a quantidade de semelhanças que eu encontrei trabalhando com bandas de rock e com startups e venho aqui, com a sua licença, elencar algumas delas.

5 caras, habilidades diferentes e um sonho em comum. As bandas com as quais eu trabalhava eram normalmente assim: 4 ou 5 caras, com habilidades diferentes (um vocalista, um ou dois guitarristas, um baixista e um baterista) e que tinham um sonho, fazer com que sua música atingisse as paradas de sucesso, serem rock stars, conquistarem o mundo.

Não muito diferente o que eu encontrei ao trabalhar com startups. Eram 4 ou 5 caras, com habilidades diferentes (um administrador, um ou dois programadores, um designer, um comercial) e que tinham um sonho, fazer com que seu projeto, produto ou serviço atingisse o maior número de pessoas possível, serem unicórnios, conquistarem o mundo. A essência do meu trabalho quanto com um, quanto com o outro era desenvolver as pessoas para que elas atingissem seu máximo potencial individualmente e coletivamente para que elas pudessem atingir os seus objetivos.

Cena, Cena, Cena. Outro motivo que me faz pensar que existe muita relação entre a cena de rock que eu trabalhei com o cenário de startups de hoje em dia, está justamente nessas palavrinhas antes de cada uma: cena e cenário. As bandas que conseguiam se juntar e formar uma cena eram muito fortes. Conseguiam fazer mais shows, construíam um público juntas e, muitas vezes, o sucesso de uma acabava alavancando o sucesso de outras. Trazendo público, mais bares abrem as portas, mais se aparece na mídia e um ciclo virtuoso completamente positivo é formado.

E de novo, essa noção de cena é muito forte, no contexto de startups. Quando se consegue formar uma comunidade forte, todas as empresas e projetos tendem a se fortalecer. Startup Weekend, Hackathons, Incubadoras, Aceleradoras são só alguns exemplos de como diversas iniciativas conseguem se aproximar e contribuir uma com o crescimento da outra. Se uma startup consegue ser vendida, por exemplo, incentiva que mais investidores apostem nesse modelo, e mais startups consigam aportes para desenvolver seus negócios. Poderíamos dizer que o Vale do Silício é o Novo Woodstock?

O Festival e o Concurso de Pitchs. E por falar em Woodstock. As bandas que eu trabalhava, principalmente as que estavam em uma fase bem inicial, apostavam muito na participação em festivais. Um show que reunia diversas bandas para fazer shows curtos (10 minutos ou 3 músicas) e mostrar seu talento, concorrer a prêmios (como gravação de cd, videoclipe, etc) e torcer para que algum empresário ou gravadora se interessasse e quisesse assinar um contrato.

E qual seria a surpresa de vocês se eu falasse que é exatamente o que acontece com os concursos de pitch. Normalmente um evento que reúne diversas startups para fazer um discurso (de 3 a 10 minutos) e mostrar toda a qualidade da ideia e da equipe, concorrer a prêmios (como acessos a plataformas, mentorias, consultorias, etc) e torcer para que algum investidor ou fundo de investimento se interessasse e quisesse assinar um contrato.

A gravadora e o Investidor. Enfim, a derradeira comparação. Muitas das bandas, na época, tinham seu foco voltado em ser encontrado por uma gravadora. Elas, lá atrás, pareciam a fórmula única para o sucesso. A tecnologia evoluiu e começou a ser possível, barato e acessível, gravar e distribuir um disco sem uma gravadora. Porém, às vezes, a obsessão era tanta que a banda se perdia no seu papel de fazer algo original e focar no desenvolvimento da sua música.

A busca pelo investidor tem um pouco desse ranço também. Parece que sem investidor, não sai negócio. Mas, assim como na música, esse modelo precisa evoluir para que seja mais possível, barato e acessível, criar e desenvolver negócios e fazer com que eles ganhem tração sem necessariamente ter tido o aporte de um investidor. As startups precisam focar mais no seu serviço, produto e clientes do que em potencial investidor. Se o negócio for bom, der resultado, o investidor vai aparecer.

Eu acho que são muitas as semelhanças entre os dois mercados. E sempre a história e experiência de um deles pode trazer ensinamentos valiosos para o outro. Torçamos para que tenhamos Startups mais rock’n’roll de atitude e Bandas com a gana de crescimento exponencial. Ambas só tem a crescer.



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Rockeiro, Gestor da Inovação e especialista em mercados criativos, desbrava a fantástico ambiente empreendedor português em busca de novas experiências de vida.




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